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No RN , Evasão cai e participação dos pais aumenta após engajamento de PMs na recuperação de escola


A Escola Maria Ilka de Moura divide seu muro lateral com a Companhia de Polícia Militar do 9º Batalhão do Bom Pastor. Nem a proximidade dos policiais, no entanto, impedia os saques, furtos e depredações constantes aos quais a escola era submetida. A área da escola era considerada território de fogo cruzado de briga entre duas facções criminosas. No ano passado, o capitão Styvenson, já conhecido por sua atuação na Lei Seca da capital potiguar, conheceu a escola. “Pertencia à companhia e não fazia nem ideia de que isso era uma escola, tamanha era a destruição do prédio. Era mato crescendo por toda parte, tinha até um esgoto a céu aberto”, conta Styvenson.

Acompanhado de alguns policiais da Companhia, Styvenson decidiu tomar medidas para tentar recuperar a escola e restaurar sua reputação diante da comunidade. Começou a juntar doações de material de construção para a reforma e, aos fins de semana, os policiais passaram a tentar recuperar o prédio. A parte mais difícil, porém, estava em garantir a integração entre a instituição e a comunidade.



“A realidade aqui é a seguinte: parte dos pais dessas crianças foi morta pela polícia, parte foi morta em brigas de facções criminosas, parte está presa e outra parte ninguém sabe quem é. Aqui são raras as famílias estruturadas, as famílias que não tenham vivido algum tipo de violência. Grande parte dessas famílias é sustentada pelas mães”, explica. Foi dessa percepção que surgiu a ideia de atrair essas mães para a escola através de cursos profissionalizantes. Firmou-se então uma parceria com o Projeto Mulheres Mil, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), para oferecer cursos de cabeleireira, maquiadora e outras especialidades para as mulheres da comunidade. 

Daí nasceu a integração entre famílias e escolas. Enquanto as mães realizavam os cursos profissionalizantes, os filhos realizavam atividades esportivas como Taekwondo, fruto de um projeto criado pelo Cabo Rivanaldo, que também é morador da comunidade. Daí em diante, seguiram-se os projetos de revitalização do espaço. Foram instituídas novas regras (lanches industrializados foram proibidos, os horários de chegada ficaram mais rígidos e os pais foram instruídos a acompanharem seus filhos até a porta da escola) e novos estudantes passaram a chegar. Hoje, a escola possui turmas sem vagas para novos candidatos e, nos finais de semana, abre as portas de sua área esportiva para os estudantes. Para o futuro, planos de uma horta para tornar a alimentação saudável e sustentável e, nas paredes, um novo brasão: uma fênix para representar o renascimento do colégio.

Por Mariana Ceci
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