Acidentados com motos custam R$ 1 milhão ao mês no Trauma de Campina Grande/PB


Cerca de um milhão de reais são gastos todo mês no Hospital de Trauma de Campina Grande apenas com acidentados de motos. Até outubro deste ano, a unidade havia realizado 7.276 atendimentos com quem estava sobre duas rodas antes de derrapar, chocar-se com outro veículo ou até mesmo com animais. No ano passado, o número foi de 9.289 vítimas. Os médicos do maior hospital público da Rainha da Borborema sabem que acidentes e mortes decorrentes do uso de motos são reflexo uma “epidemia” que só fará crescer. A Rainha da Borborema é campeã da frota de motos de todo o interior do estado, perdendo apenas para a capital João Pessoa. Chegou agora à marca de cem mil, segundo dados oficiais do Detran-PB. O impacto das motos na saúde é o tema da segunda reportagem da série “100 mil motos CG” do portal OP9.

Além dos acidentados, o Hospital de Trauma já registrou neste ano 87 mortes de pessoas envolvidas com motos. A maioria é jovem, do sexo masculino, que gosta de velocidade sem uso de capacete. De acordo com o ortopedista Felipe Guedes, muitos dos vitimados nem conseguem chegar a tempo com vida ao hospital.”Acidente de moto é mais perigoso. Muitos não sobrevivem”, destacou.

O motoboy Luan Maia, 23 anos, reconhece que teve sorte. Em 2017 sofreu um acidente quando trabalhava. “O cara bateu em mim nas proximidades do bairro do São José, perto do Batalhão de Polícia Militar. Minha sorte foi que ele ficou para pedir socorro. Fiquei internado no Trauma por mais de um mês. Bati o rosto no chão e tive que passar por quase oito horas de cirurgia na face. Graças a Deus hoje estou vivo. Foi um milagre”.
Mesmo com medo, Luan voltou a pilotar. “Mesmo com o acidente, tive que voltar a andar de moto porque é meu trabalho. Quero esquecer que passei por isso, apaguei todas as fotos porque não gosto de ver e lembrar. Foi assustador. Mas tenho que trabalhar e é assim que vou seguindo minha vida”, declarou. Ele agora faz entregas para uma empresa que vende frangos em Campina Grande. Com toda a prudência.
Só no mês de outubro deste ano deram entrada no Hospital de Trauma 827 acidentados por moto. Durante a semana, os maiores atendimentos se dão nos períodos de 13h e de 19h, horários onde os acidentes são mais frequentes. Já na noite de sexta e durante todo o final de semana, a preocupação aumenta.
“A imprudência e o desrespeito às leis de trânsito, além do uso de bebida alcoólica e direção são os grande vilões. Existem pacientes de alto custo e de alta permanência hospitalar. As principais sequelas deixadas pelos acidentes são limitações dos movimentos dos membros, sequelas neurológicas e amputações traumáticas”, explicou o diretor técnico do Trauma, José Bezerra.

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