Styvenson diz que, se escola de Suzano fosse militarizada, ataque não teria acontecido


O ataque a tiros na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, poderia ter sido evitado caso a unidade fosse “militarizada”, na opinião do senador potiguar Styvenson Valentim (Podemos). Segundo o parlamentar, a presença na escola de agentes de segurança pública treinados teria inibido a ação dos jovens Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique Castro, de 25, que mataram oito pessoas na última quarta-feira, 13. Os dois também acabaram mortos, totalizando dez vítimas.
“Se a escola de Suzano fosse militarizada ou se tivesse um policiamento e se os elementos soubessem que ali tinha proteção, eles não teriam feito aquilo. ‘Proteção’ por quem deve proteger, por pessoas que têm capacidade de usar arma, de usar farda, de estar ali naquele momento”, assinala o senador.
Styvenson, que é capitão da reserva da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, recebeu a reportagem do Agora RN na última sexta-feira, 15, na Escola Estadual Professora Maria Ilka de Moura, no bairro Bom Pastor, zona Oeste de Natal. A unidade – que fica perto da Comunidade do Japão, área com um dos maiores índices de criminalidade da capital potiguar – foi recuperada por agentes de uma companhia de polícia do 9º Batalhão da PM que funciona ao lado. O trabalho, idealizado por Styvenson, rendeu uma parceria pela qual policiais atuam em conjunto com professores e coordenadores para melhorar a disciplina dos estudantes.
A experiência da escola no Bom Pastor levou Styvenson a defender a “militarização” das escolas por todo o País. Segundo o senador, a proposta pode melhorar o desempenho dos alunos. “A função do policial é manter a ordem e a disciplina. E eles têm a limitação [de atuação], que é o corredor fora da sala de aula, onde eles colocam a ordem, a disciplina, a parte cívica, pregam o antibullying, o respeito, o não consumo de droga e álcool e a não violência dentro da escola. A função do professor, por sua vez, é dar aula, ser escolarizador. Cada um dentro de sua área, e a escola funciona bem”, resume.
De acordo com o capitão, a prova de que o trabalho desenvolvido na Escola Maria Ilka é exitoso é a procura dos pais. “A escola militarizada não é para o mal do aluno, não é para o mal do professor. É para o bem de cada aluno. Se for ali fora [corredor] e perguntar para cada aluno, eles fazem questão de estarem aqui. Eu não quebrei nenhum princípio democrático ou de liberdade, forçando ninguém a estar aqui dentro. Os pais buscam essa escola porque buscam o diferencial, que é obediência”, conta o senador, acrescentando que pais de alunos o procuraram para solicitar exames toxicológicos que comprovem que seus filhos não consomem drogas e para pedir câmeras dentro das salas de aula. Styvenson diz estar avaliando os pedidos.
Durante a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro prometeu “militarizar” escolas pelo País. A ideia é defendida, entre outros, pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que deu início ao projeto em quatro escolas de Brasília. O modelo consiste em uma parceria entre Polícia Militar e governo estadual, para colocar dentro das escolas policiais da reserva ou agentes que estão afastados por questões de saúde, mas que têm capacidade para atuar dentro das unidades escolares.
Styvenson concorda com o modelo de militarização que está sendo colocado em prática em Brasília, mas aponta que as regiões do Brasil têm especificidades que podem prejudicar a implantação do projeto. No caso do Rio Grande do Norte, o senador registra que há um déficit no efetivo policial e restrições orçamentárias.
“Não tem como querer militarizar as escolas todas do Rio Grande do Norte, porque não tem efetivo nem para colocar na rua. Poderia até ser feito como em Brasília, com policiais da reserva ou que estão pela Junta Médica, mas tem outro fator: o custo. Em Brasília, é de R$ 200 mil. Será que o RN arcaria com esse dinheiro? Na Maria Ilka, os policiais atuam de forma voluntária, pois a ideia foi transformar a escola em uma companhia de polícia”, finaliza.
INÍCIO DO GOVERNO FÁTIMA
Também na entrevista ao Agora RN, Styvenson Valentim disse que é cedo para fazer avaliações da gestão da governadora Fátima Bezerra, iniciada menos de três meses atrás. Segundo o senador, o que dá para afirmar no momento é que a administração tem sido transparente e que ele está otimista de que a governadora terá êxito na gestão.

O capitão ressaltou que seu mandato está à disposição da governadora, para auxiliar no que for possível. Ele afirmou que participará de todas as reuniões de bancada agendadas por Fátima ou por algum dos demais parlamentares, desde que seja convidado com antecedência. No início do ano, o senador faltou a pelo menos dois encontros marcados para discutir a crise financeira.
“Apenas de duas ou três [reuniões] eu não participei, por motivo de saúde ou por não ter sido informado em tempo hábil. Tenho atestado que comprova [o motivo de] minha ausência. Mas eu participo. As pessoas só veem quando eu falto. Aliás, eu tenho até dito que, quando houver essas reuniões, não passem pelo WhatsApp. Eu não tenho tempo de ficar olhando WhatsApp. Avise pela assessoria, deixe data marcada, que, se eu não puder ir, vou justificar a ausência ou mandar alguém se informar. Se eu falto, não é por falta de interesse ou picuinha política, até porque nem disso eu gosto”, ressaltou.
Sobre a forma como o novo governo estadual tem pagado os salários dos servidores – priorizando folhas vencidas em 2019, de forma parcelada, em detrimento do passivo herdado do governo anterior –, Styvenson frisou que não concorda, mas admitiu que não está fácil administrar o Estado. “Ideal seria que pagasse tudo. Mas, se essa é a forma que tem de pagar, ela mostre. Eu não conheço [outra forma]. O que as pessoas exigem é transparência. As pessoas precisam saber o que está acontecendo. Mesmo que doa, é preciso dizer a verdade”, emendou.
Na área de segurança pública, o senador disse ter percebido aumento no policiamento ostensivo durante o Carnaval e creditou a melhora na sensação de segurança a uma estratégia bem-sucedida do secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Estado, o coronel da PM Francisco Araújo.
“Não houve concurso nem compra de novas viaturas. O que ele fez foi o deslocamento de policiais para áreas de maior concentração populacional e onde havia maior possibilidade de ocorrências como furtos, lesões corporais e homicídios – as ocorrências mais comuns durante o Carnaval. Inteligência e mérito dele. Pegou o que tem e utilizou”, pontuou.
REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Sobre a proposta de reforma da Previdência, entregue pelo presidente Jair Bolsonaro à Câmara dos Deputados em fevereiro, Styvenson pregou diálogo e cautela. Ele considerou aspectos delicados na reforma, como a aposentadoria de mulheres e agricultores. “Eu sei que é preciso fazer uma reforma, mas não de forma brusca ou inesperada e que prejudique a maior parte da população. A maioria da nossa população, por exemplo, é agrícola, rural. Temos que analisar essas pessoas com o maior cuidado, em relação à idade e o tipo de trabalho que elas desenvolvem”, afirmou.

Na opinião do senador, é preciso avaliar, ainda, as características de cada região do País. Ele comparou o Nordeste com o Sul, áreas com resultados bem distintos em relação a expectativa de vida e condições para a prática da agricultura. “É muito fácil falar do Sul, que tem chuva e solo fértil. Quando a gente vem para o nosso sertão, não tem a mesma disponibilidade de solo, não tem a mesma atividade agrícola. Temos que analisar com cautela e cuidado. Não dá para ser irresponsável e dizer que está tudo ótimo”, ponderou.
Styvenson finalizou dizendo que é preciso encontrar um “ponto de equilíbrio” na discussão sobre a reforma da Previdência – que atenue o déficit nas contas públicas, mas que não prejudique a população. “O mais importante não são as pessoas que estão discutindo hoje. São as pessoas que nem aqui estão, que vão se beneficiar ou sofrer consequências da reforma. Temos que pensar nas gerações que nem aqui estão presentes”, encerrou.

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